quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Tchauzinho Hospital



Quinta-feira, 7 de novembro de 2013, após 10 dias de internação chega o dia de voltar para casa.
O médico veio no final da manhã, abriu a tala, examinou e estava tudo normal. Colocou os curativos novos, enfaixou novamente e dessa vez nada de dor.
Um parênteses, enquanto estava no hospital, tive a forte impressão de que as vezes nas quais mexeram no meu pé na emergência eu voltava de lá com muita dor por falta de cuidado do pessoal, pois quando o médico mexia não doía. Bem, talvez eu tenha feito uma injustiça pois sempre que desci para a emergência, a tala de gesso era refeita, e quando o médico abriu ele reaproveitou a tala de gesso.
Inocentemente, eu acreditava que andar de muletas era a coisa mais fácil do mundo, e que quando chegasse em casa andaria tranquilamente para cima e para baixo. Minha ilusão se desfez logo após descer do táxi, quase morri de cansaço para andar uns seis metros do carro até uma muretinha onde pude sentar.
Fiquei sentado ali até chegar alguém para me ajudar, pois o taxista havia sido operado e não podia fazer força. Meu primo veio, e me levou apoiado nele até meu quarto.

O Dia Seguinte



Na manhã após a cirurgia havia um pouco de sangue na tala, bem como no travesseiro que apoiava meu pé.
O médico veio me ver ainda na parte da manhã, disse que cirurgia havia corrido bem, que tinha ficado alguns fios no meu pé pois não havia estrutura para colocar pino, e pediu para trocarem a tala e o curativo. Também me disse que havia um fragmento de osso solto da minha patela, e que ele havia aberto meu joelho para retirá-lo (eu tinha ficado um pouco surpreso quando vi que tinham feito cirurgia no meu joelho também).
Imaginei que os fios seriam algo como a linha de sutura, e não entendi porque eles haviam ficado expostos (bem igual criança que tenta entender algo completamente novo e viaja na maionese). Com o tempo descobri que se tratava de fios de Kirschner, acho muita modéstia chamá-los de fios, na verdade são arames rígidos parecidos com os usados em espirais de caderno, e que no meu caso tinham 2,5 e 3,0 mm de espessura.
Foram colocados três “fios” na parte superior do pé, três na região do calcanhar e mais um avulso na parte inferior.
Mais para o final da tarde fui para a emergência para refazer a tala/curativo, e novamente volto de lá com muita dor. Minha namorada tinha vindo me visitar e eu mal consegui conversar com ela. Pedi analgésico para a enfermeira, e ela me deu um comprimido de tylex apesar de eu avisar que ele não daria conta do problema.
Como eu sabia, o tylex não fez nem cócegas na dor. Algumas horas depois eu consegui convencer o pessoal que precisava tomar algo, e finalmente me trouxeram um analgésico que deu conta da dor e eu consegui dormir.

A Cirurgia



Finalmente chega o dia da cirurgia, ela foi marcada para o final da tarde, e fora o café da manhã seria jejum o dia todo.
Próximo do horário marcado o enfermeiro chegou, me deu o avental, me troquei e desci de maca para o centro cirúrgico.
Fiquei numa sala pré/pós-operatório, e após algum tempo veio outro enfermeiro para me buscar.
O meu acesso (aquela agulha que fica para injetarem soro e medicação) não estava muito legal, um tanto avermelhado na região, e eles o trocaram. Na sequência a anestesista conversou comigo, me injetou alguma coisa e eu apaguei.
Acordei umas três horas depois, vi alguém segurando umas radiografias e alguém parabenizando o médico pela cirurgia.
Eu estava com um monte de cobertas, mas mesmo assim sentia frio. Logo depois fui encaminhado de volta para a sala de pré/pós-operatório, e devo ter ficado por lá uns 30 minutos até voltar a sentir a perna.
Me levaram de volta para o quarto, e após o efeito da anestesia passar, veio a dor e com bastante intensidade. Para minha alegria, o médico não havia reforçado meus analgésicos e tive de aguentar umas boas horas com dor até poder tomar medicamento.

A Semana Pré-cirurgia

Primeiro dia internado, não me lembro direito, mas acho que a dor não já era muito forte. De qualquer forma já estava tomando os medicamentos de forma regular (analgésicos e anti-inflamatórios).
O médico só apareceu depois das 21:00, não chegou a tirar a tala do pé porque não teria de esperar desinchar o pé para poder operar. Meu joelho também estava inchado, e bastante inchado, o que levou o médico a dar uma examinada e recomendar uma punção (não sei se este é o termo correto), mas enfim, ele enfiou uma agulha do meu joelho algumas vezes e tirou um saquinho de sangue dele.
No dia seguinte fiz uma ressonância e um raio-x do joelho, descobrindo depois que a patela havia fraturado e deixado um fragmento de osso solto.
Creio que no terceiro dia o médico abriu a tala e lá estava meu pé, todo inchado, com uma bolha que vinha da metade do pé até o calcanhar e outra que ia do calcanhar até cerca de um terço do lado oposto do pé, sendo que estas bolhas já estavam com bastante sangue. Na parte de cima, próximo aos dedos, outras duas bolhas que ainda estavam transparentes.
Ele examinou, tirou umas fotos para encaminhar para o especialista em fratura do pé, disse que não era para estourar as bolhas devido ao risco de infeccionar. No final da tarde me levaram na emergência para refazer a tala; voltei de lá com bastante dor.
Dia quatro (?), amanheço com o lençol que apoiava meu pé sujo de sangue devido a uma das bolhas que estourou. Finalmente conheço o médico que vai passar a me acompanhar, o especialista em fratura no pé (descobri que a ortopodia está subdividida em várias áreas, e existe também o traumatologista).
A tala foi aberta novamente, o médico disse que iria estourar as outras bolhas, sendo que as bolhas da parte de cima do pé agora estavam com sangue também. Lava o pé com soro, fura as bolhas, pressiona as bolhas, seca, e a enfermeira que estava ajudando ele ficou um pouco impressionada com a coisa toda, a copeira que veio trazer o almoço deu só uma abridela na porta e saiu quase correndo. Apesar de toda essa movimentação não tive muitas dores.
A previsão de realizar a cirurgia fica para 05 de novembro de 2013, uma semana e um dia após o acidente.

Já não me lembro de muitos detalhes deste período, mas até onde lembro as dores foram amenas. Dois ou três antes da cirurgia comecei a tomar soro o tempo todo (um saco ficar com aquele negócio pendurado no braço direto).

Chegada ao Hospital, Primeiros Exames e Internação



Chegando à emergência do hospital da Unimed em Sorocaba, as cadeiras estavam todas cheias, e eu sem conseguir andar, ficava pulando para me locomover. Felizmente a recepcionista já me chamou para a mesa dela, fez os procedimentos iniciais, me arrumou uma cadeira de rodas e me encaminhou para a triagem.

Passagem rápida pela triagem e me encaminharam para o ortopedista. Não demorou muito ele me chamou, deu uma olhada e pediu raio-x.

Fiquei um tempo (creio que uns 45 minutos) até me chamarem, fiz o raio-x e voltei para as proximidades da sala do médico para aguardar que o exame chegasse a ele. Ele olhou, já diagnosticou a fratura do calcâneo e do tálus, e me disse que ambas as fraturas eram casos cirúrgicos e dificilmente eu voltaria ao trabalho naquele ano (depois descobri que se tratava de uma fratura múltipla, bem complicada, os ossos se quebraram em várias partes).

Após o raio-x, o médico pediu uma tomografia. Me deixaram esperando numa salinha de inalação e cerca de duas horas depois me chamaram para fazer o exame. Faço a tomografia, volto para a salinha de inalação, mais duas horas de espera e o resultado sai.

Volto ao médico, que já era outro, ele vê os resultados e me manda para fazer a imobilização. Após cerca de seis horas desde a chegada ao hospital, tomo os primeiros medicamentos e depois de dar um tempinho para que os analgésicos fizessem efeito, vem o médico para colocar meu pé no lugar. Como esse é um blog de família não vou citar nenhum palavrão, mas com analgésico e tudo foi a maior dor que senti na minha vida.

Fui então para a enfermaria aguardar a liberação de um quarto (nesse momento, na verdade ainda não estava muito claro se eu ia ficar internado ou não) e quando o analgésico começou a pensar em parar de fazer efeito meu pé começou a doer, e como doía. Quando vi que o sofrimento não ia passar tão cedo, pedi à enfermeira mais analgésico, mas descobri que já havia tomado tudo que eu tinha “direito” e iria levar algumas horas até poder tomar mais alguma coisa.

Depois de algumas horas a enfermeira veio para me levar ao quarto. Ao passar para a cadeira de rodas um milagre, a dor praticamente passou. Subimos para o quarto e, quando estávamos saindo do elevador, como numa típica cena de filme pastelão, a porta começou a fechar bem na direção do meu pé que estava esticado, mas felizmente o sensor da porta estava funcionando e ela se abriu novamente.

Chegamos ao quarto e eu agradeci a Deus por ter pagado um plano de saúde que dava direito à apartamento, bem espaçoso, uma TV de LED, uma meia dúzia de canais de TV paga mais os da aberta.

Fui para cama, que tinha regulagem de tudo que é jeito, a enfermeira me acomodou e volta a dor com todo o gosto não importava a posição que eu ficasse. Pedi novamente mais analgésico, e novamente fui informado que ainda não podia tomar, também pedi para voltar para a cadeira de rodas, mas não colou também. Se não me engano, por volta de 1 da manhã veio o meu tão esperado analgésico e eu consegui dormir tranquilamente.


Já não me lembro de muitos detalhes deste período, mas até onde lembro as dores foram amenas. Dois ou três antes da cirurgia comecei a tomar soro o tempo todo (um saco ficar com aquele negócio pendurado no braço direto).